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O conhecimento do fim é o ponto de partida da sabedoria

A Educação segundo a Filosofia Perene

 

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Porém, segundo o testemunho de muitos filósofos, toda a filosofia, e, por conseguinte, toda a filosofia da educação, se articula em torno da questão do fim. São, neste sentido, eloqüentes as palavras com que Santo Tomás de Aquino inicia a Summa contra Gentiles, em que ele afirma que toda a articulação da sabedoria, ou da filosofia, se dá em torno do fim de todas as coisas:

"Dentre o que os homens atribuem ao sábio, Aristóteles reconhece que é próprio do homem sábio ordenar. Ora, a regra da ordem e do governo de todas as coisas a serem governadas e ordenadas ao fim deve ser tomada deste próprio fim.

De fato, qualquer coisa está disposta otimamente quando está convenientemente ordenada ao seu fim.

Por isto o nome de sábio simplesmente está reservado apenas àquele cuja consideração versa sobre o fim de todas as coisas"(5).

Torna-se assim manifesto como, segundo Santo Tomás, o conhecimento do fim é o ponto de partida da sabedoria, da filosofia em geral, e, de um modo especial, das filosofias particulares, como a filosofia da educação.

Este fato, conforme dissemos, é reconhecido não apenas por Tomás, mas também por grande quantidade de outros autores de todas as proveniências e épocas. Podemos citar, como exemplo, outro educador brasileiro, Fernando de Azevedo, que em um texto histórico, a Introdução ao Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, escreveu que

"com o documento do Manifesto dos Pioneiros da educação Nova o problema da educação, o maior e o mais difícil problema proposto ao homem, se transportou da atmosfera do empirismo didático para os domínios das cogitações científicas e filosóficas de que dependem os sistemas de organização escolar. As divergências que suscitou e não podia deixar de despertar o Manifesto provém dos diferentes pontos de vista de que pode ser apreciado o problema fundamental dos fins da educação. Na fixação deste ideal é que surgem as divergências, que variam em função de uma concepção de vida, e, portanto, de uma filosofia"(6).

O que há de especial, entretanto, em S. Tomás de Aquino quando ele coloca esta mesma questão dos fins é que nele não se trata mais de uma questão apenas metodológica. O conhecimento do fim em pedagogia não será necessário porque somente deste modo poderemos apreciar de maneira clara os pressupostos de cada filosofia da educação. No caso de S. Tomás de Aquino o problema dos fins, mesmo em educação, é um problema também ontológico, porque nele, como na tradição da filosofia perene, o mundo em que o homem está inserido possui uma ordenação intrínseca independente da subjetividade do homem, e ordenação segundo ele significa ordenação a um fim." 

 

Fonte: Livro "A educação segundo a Filosofia Perene"

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