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Guerra Cultural

Diante da real guerra da verdade contra a mentira, que toma a mente das pessoas de forma cada vez mais rápida e de maneira que não admita questionamentos, tornando-as incapazes de ver as coisas como de fato são, precisamos nos conscientizar para não nos tornarmos mais alguns cegos a viver como se só houvesse o hoje, ou acreditarmos que o amanhã independa de qualquer atuação pessoal.

Segue abaixo fragmentos da Introdução do Livro "Como vencer a guerra cultural", escrito pelo filósofo norte americano, Peter Kreeft.

"Há uma coisa sobre a qual quase todos nos Estados Unidos concordam, não importando se se é liberal ou conservador, rico ou pobre, ateu ou religioso, empregado ou patrão, homem ou mulher, gay ou hétero, pró-vida ou pró-escolha, capitalista ou socialista: praticamente todos os que têm dois olhos e um nariz concordam que a nossa cultura está atolada em problemas, para não dizer coisa pior.


Diferentes grupos têm diferentes explicações para os problemas. Os conservadores culpam os liberais e os liberais os conservadores. Os héteros culpam os gays e os gays os héteros. Os brancos culpam os negros e os negros dos brancos. Os homens culpam as mulheres e as mulheres culpam os homens.

Alguns dizem que não é culpa de ninguém, que isso está simplesmente acontecendo. Esse é o pessimismo mais puro de todos, pois significa que não há nada que se possa fazer. Pensar assim é o mesmo que afirmar que os Estados Unidos estão condenados, pois o que não foi quebrado, não precisa ser consertado, ou pior, se a doença não tem causa, também não tem cura.


Entretanto, os americanos jamais acreditaram nessa forma de pensar, exceto os estoicos, os fatalistas, os calvinistas e os torcedores do Boston Red Sox, os quais foram definidos como aqueles que aparecem na primeira rodada do campeonato com uma faixa escrita: "Ano que vem vocês vão ver ". A maioria dos americanos sempre acreditou que os problemas humanos têm causas e soluções humanas – pelo menos os tipos de problemas que tratamos aqui.


Mas, quais são esses tipos de problemas? As pesquisas de opinião não param de mostrar que os problemas que mais preocupam os americanos não são as questões políticas e econômicas, mas questões sociais e culturais. Podemos dizer, então, que são as questões morais.

É fácil compreender essa preocupação, pois as questões morais são aquelas que mais afetam a vida das pessoas e famílias comuns: as drogas, o terrorismo, o divórcio, a falta de moradia, o estupro, o alcoolismo, a violência, o abuso infantil, os abortos, a destruição das famílias, a gravidez na adolescência, a AIDS, o suicídio, etc. É muito mais pertinente a uma mãe se preocupar com a possibilidade de sua filha ser estuprada do que com o PIB (Produto Interno Bruto). Parece óbvio, mas os acadêmicos não enxergam assim.


 As questões morais influenciam a vida das pessoas de tal maneira que não é de se admirar que estejam tendo menos filhos, afinal, quem quer trazer bebês para o campo de batalhas? Só os heroicos ou os ingênuos.

Os anos cinquenta, apesar de não terem sido uma a uma utopia, foram significativamente mais feliz do que os de hoje. Atualmente, não se vê nenhum programa de televisão sobre crianças com título semelhante a Happy Days. Neste ponto alguém poderá reagir citando a lei suprema da vida, dizendo que não é possível voltar o relógio nem deter o progresso. Nós dizemos que sim, que é possível. Dizemos que essa "lei suprema" é uma mentira. Dizemos que é possível voltar o relógio tanto literal quanto figurativamente.

E mais, e isso é o melhor a se fazer porque o relógio não está funcionando direito. Vejamos: o relógio e a sociedade são invenções humanas. Não são coisas naturais como o sol a chuva. Nós as inventamos, portanto, podemos  destruí-las e consertá-las.

Nós temos o poder de deter esse falso deus chamado Progresso. Mas, em vez disso, nós detivemos o verdadeiro progresso, que consiste simplesmente em buscar a felicidade. Pois, tudo que fazemos é visando alcançar esse objetivo: a felicidade. E, já que não vivemos mais dias felizes, a conclusão lógica é que paramos de progredir. Se não há progresso, há retrocesso. Assim, nos retrocedemos.

 

Fonte: Kreeft, Peter. Como vencer a guerra cultural - Um plano de batalha cristão para uma sociedade em crise/

Peter kreeft; Tradução de Márcio Hack - Campinas, SP: Ecclesiae, 2011.

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